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Mentiras Perfeitas
 

SABEDORIA  POPULAR

 

* confirmado mais um ensinamento da sabedoria popular: mentiras têm pernas curtas, indeed!

* ao tentar inserir uma simples foto (simples, mas bela!)  de Mr. Robert Allen Zimmermann, mais conhecido como Bob Dylan, o ilustre aniversariante do dia, não consegui! Não há mais espaço! No hay banda! Após segundos de pânico -> revolta contra a limitação do bol -> angústia (e agora, de volta aos cadernos?) -> telefonemas salvadores ( Salve, Shir!) -> um Sonho de Valsa para relaxar -> criação de novo espaço, agora ampliado , tudo volta à paz (havia paz aqui?!).

* aos amigos que freqüentam este blog - os que se pronunciam e os silenciosos - muito obrigada pelas visitas! Sejam bem-vindos em meu novo endereço: http://floresdomais.zip.net  , que mantém as características deste aqui. Aguardo todos vocês lá, no meu novo jardim.



Escrito por Lana às 15h34
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WELCOME  THE  ROLLING  STONE !

 

Reza a lenda que, numa noite de  1966, Bob Dylan vinha pilotando sua moto por entre as colinas de Woodstock, onde tinha sua casa de campo. Um pouco atrás dele vinha sua esposa, Sara, ao volante com um dos automóveis do casal. A estrada estava molhada de chuva, a moto derrapou, e Dylan, foi projetado de encontro ao tronco de uma árvore. Sara freou, trouxe o carro para o acostamento e correu para socorrê-lo. Ao abaixar-se sobre seu corpo, percebeu, pelo ângulo, que ele tinha quebrado o pescoço, e não respirava. O maior gênio da música folk e do rock norte-americano dos anos 60 estava morto.

Ou melhor - não é bem assim. O que muita gente não sabe é que, na fração de segunda em que seu corpo chocou-se contra a árvore, Dylan viu-se transportado para um local estranho, muito parecido com os bares enfumaçados do Village que poucos anos trás eram o único espaço onde lhe permitiam cantar com sua voz roufenha as canções folk que ele, hereticamente, escrevia por conta própria. O bar estava vazio, com cadeiras empilhadas sobre as mesas, mas sentado num banquinho no placo estava um homem com colete preto bordado a ouro, chapéu de cowboy, um rosto enrugado, e um bigodinho fino que lembrava o ator Vincent Price. "Estou morto?" perguntou dylan. "Por enquanto, não", disse o desconhecido. "Você está num ponto de divergência, onde tem a chance de escolher seu futuro. Como gostaria de estar, digamos, aos 65 anos?" "On the road", disse  ele sem pestanejar. "Cantando toda noite, para pequenas platéias, sem nunca repetir o mesmo show". O desconhecido sorriu: "Concedido". No bosque de Woodstock, o cantor mexeu-se, resmungou algo indistinto, e sua esposa deu um suspiro de alívio.

Hoje, dia em que completa 65 anos, Dylan está com a vida que desejou. Acompanhado há anos pelos mesmos músicos, ele realiza o que a imprensa batizou de "The Never Ending Tour". Viaja de ônibus, de cidade em cidade, e canta às vezes em cinco cidades diferentes numa semana. Agora em Maio ele deu uma pausa, mas em Junho vai à Europa.

Aos 65 anos, Dylan nunca repete o mesmo show. Os músicos sabem seu repertório de cor, de modo que se , meia hora antes de subir ao palco, ele avisar que vai cantar alguma canção como " Chimes of Freedom" ou "Love Minus Zero (No Limit)" , o pessoal acompanha sem precisar de ensaio. Quanto aos clássicos como "Mr. Tambourine Man", "All Along the Watchtower" ou "Just Like a Woman" , ele tem o hábito de mudar o tom em cima da hora, para evitar que a banda ligue o piloto-automático.

HAPPY BIRTHDAY, MR. BOB !

 

 

                                 

 

                                   

 

 



Escrito por Lana às 07h49
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FILMES  QUE  JUSTIFICAM  OS  MEIOS

Casablanca ( Casablanca , 1942), de Michael Curtiz.

 

O maior dos filmes românticos? O clássico dos clássicos? O final mais copiado do cinema? O herói mais cínico e apaixonante de todos? Ou, como disse Umberto Eco - " um clichê isolado é ridículo; uma reunião deles é uma obra-prima "?

Ainda é, para mim, " O FILME DE AMOR ", com todas as suas extensões mais humanas e menos egoístas. Quem nunca quis ser Ilsa Lund, usando azul enquanto os alemães usavam cinza...



Escrito por Lana às 01h30
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SOBRE  O QUE  ELES CONVERSAVAM ?

Roger VadimFrançois Truffaut.

 



Escrito por Lana às 01h25
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SHAKESPEARE  APAIXONADO

 

 " Quando fala o amor

  Na voz dos deuses

  Acalenta todo o céu

  Com harmonia irresistível. "

                                ( Trabalho do Amor Perdido )

 

" Em tempo algum teve um tranqüilo

  curso o verdadeiro amor. "

                                    ( Sonho de Uma Noite de Verão )

 

" É tão depressa assim

  que se pega essa doença? "

                                         ( Noite de Reis )

 

" Pelo céu! Estou amando, e com isso aprendi a rimar

  e a ser melancólico. "

                                             ( Trabalho do Amor Perdido )

 

" O amor, de fato, é só à primeira vista. "

                                               ( Como Gostais )

 

" Boa noite! Boa noite! Boa noite!

  A despedida é dor, tão doce, todavia,

  que te darei boa noite até que seja dia. "

                                          ( Romeu & Julieta )

  



Escrito por Lana às 01h22
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OS  INCRÍVEIS

Frederic Austerlitz  -  Fred Astaire (10. Maio. 1899 - 22. Junho. 1987)

 

LET'S  FACE  THE MUSIC  AND  DANCE

 

There may be trouble ahead

So while there's moonlight and music

And love and romance

Let's face the music and dance

Before the fiddlers have fled

Before they ask us to pay the bill

And while we still have a chance

Let's face the music and dance

 

Soon, we'll be without the moon

Humming a different tune, and then

There may be teardrops to shed

So while there's moonlight and music

And love and romance

Let's face the music and dance, dance

Let's face the music and dance

               

                               - Irving Berlin



Escrito por Lana às 01h10
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.

" Se todos os males,

  Temores e sofrimentos do mundo

  Vêm do apego a si mesmo,

  Que necessidade tenho de espírito tão maligno? "

                                             - Shantieva, no  Livro Tibetano do Viver e do Morrer, de Sogyal Rinpoche.



Escrito por Lana às 08h21
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A  QUEM  INTERESSAR  POSSA...

 

"...aqui todas as coisas vêm acariciantes em busca do teu discurso e te adulam: pois elas querem cavalgar sobre tuas costas. Sobre todas as comparações tu cavalgas em direção a todas as verdades; tudo o que é ser quer se tornar palavra, tudo o que é vir-a-ser quer aprender a falar contigo..."

- citação de Zaratustra, Parte III,  Ecce Hommo, Nietzsche.



Escrito por Lana às 07h50
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THE  KILLING  MOON

 

" Há qualquer coisa de terrível em mim. Às vezes à noite o murmúrio dos girassóis acorda-me e sinto o ventre aumentar na escuridão do quarto com aquilo que não é um filho,  não é um inchaço, não é um tumor, não é uma doença, é uma espécie de grito que vai sair não pela boca mas pelo corpo inteiro e encher os campos como o uivo dos cães, e então deixo de respirar, agarro com força a cabeceira e os mil caules do silêncio flutuam devagarinho no interior dos espelhos, aguardando a claridade pavorosa da manhã. "

                                          - Antônio Lobo AntunesO Esplendor de Portugal.



Escrito por Lana às 22h17
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SIAMO  DONNE ...

Jean Seberg ( 13. Novembro. 1938 - 31. Agosto. 1979 ).

 

" Porque sou mulher. Porque sou mulher e as mulheres não morrem como os homens, dado faltar-lhes o mesmo peso de medo na carne, a mesma espessura nos ossos de inocência e solidão: transformam-se em fantasmas ou nem fantasmas, coisas vagas, fosforescências que rondam de quarto em quarto nos gestos e no modo de caminhar que possuíram em vida(...) "

                                               - Antônio Lobo AntunesO Esplendor de Portugal.



Escrito por Lana às 21h55
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O  ALEPH

 

" Na parte inferior do degrau, à direita, vi um pequena esfera furta-cores, de brilho quase intolerável. Primeiro, supus que fosse giratória; depois, compreendi que esse movimento era uma ilusão produzida pelos vertiginosos espetáculos que encerrava. O diâmetro do Aleph seria de dois ou três centímetros, mas o espaço cósmico estava ali, sem diminuição de tamanho. Cada coisa (o cristal do espelho, digamos) era infinitas coisas, porque eu a via claramente de todos os pontos do universo. Vi o populoso mar, vi a aurora e a tarde, vi as multidões da América, vi uma prateada teia de aranha no centro de uma negra pirâmide, vi um quebrado labirinto (era Londres), vi intermináveis olhos próximos perscrutando em mim como num espelho, vi todos os espelhos do planeta e nenhum me refletiu, vi num pátio da Rua Soler os mesmos ladrilhos que, há trinta anos, vi no saguão de uma casa de fray Bentos, vi cachos de uva, neve, tabaco, listas de metal, vapor de água, vi convexos desertos equatoriais e cada um dos seus grãos de areia, vi em Inverness uma mulher que não esquecerei, vi a a violenta cabeleira, o altivo corpo, vi um cancro no peito, vi um círculo de terra seca numa vereda onde antes existira uma árvore, vi numa quinta de Adrogué um exemplar da primeira versão inglesa de Plínio, a de Philemon Holland, vi, ao mesmo tempo, cada letra de cada página (em pequeno, eu costumava maravilhar-me com o fato das letras de um livro fechado não se misturarem e se perderem no decorrer da noite), vi a noite e o dia contemporâneo, vi um poente em Querétaro que parecia refletir a cor de uma rosa de Bengala, vi o meu quarto sem ninguém, vi num gabinete de Alkmaar um globo terrestre entre dois espelhos que o multiplicam indefinidamente, vi cavalos de crinas redemoinhadas numa praia do mar Cáspio, na aurora, vi a delicada ossatura de uma mão, vi os sobreviventes de uma batalha enviando bilhetes-postais, vi numa vitrina de Mirzapur um baralho espanhol, vi as sombras oblíquas de alguns fetos no chão de uma estufa, vi tigres, êmbolos, bisontes, marulhos e exércitos, vi todas as formigas que existem na terra, vi um astrolábio persa, vi numa gaveta da escrivaninha (e a letra  fez-me tremer) cartas obscenas, claras, incríveis, que Beatriz dirigira a Carlos Argentino, vi um adorado monumento na Chacarita, vi a relíquia cruel do que deliciosamente fora Beatriz Viterbo, vi a circulação do meu escuro sangue, vi a engrenagem do amor e a modificação da morte, vi o Aleph, de todos os pontos, vi no Aleph a terra, e na terra outra vez o Aleph e no Aleph a terra, vi o meu rosto e as minhas vísceras, vi o teu rosto e senti vertigem e chorei, porque os meus olhos tinham visto esse objeto secreto e conjectural cujo nome os homens usurpam, mas que nenhum homem olhou: o inconcebível universo.

 

- Jorge Luis Borges O Aleph.

 

(sobre Borges)

" Pensou que as eternidades e os infinitos coubessem em uma página." ( Octavio Paz )



Escrito por Lana às 11h27
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CINEMA  EM  DIA

Vencida pelo marketing ou não, enfrentei ontem uma fila enorme e uma sala barulhenta e lotada, mas assisti a  O Código DaVinci (The DaVinci Code, 2006) na estréia!

Não imagino como seria assistir ao filme sem ler o livro de Dan Brown antes, já que não há como não ficar "identificando" certas passagens dele, ou esperar por outras, e isso já é divertido. Não é o melhor dos filmes, mas, exatamente como o best-seller de origem, funciona como uma diversão sem maiores compromissos, para a qual se deve ir desarmado de preconceitos ou expectativas, para apenas acompanhar uma história intrigante e interessante, acredite-se ou não no que é sugerido. O elenco é atraente, mesmo com aquela chapinha que fizeram em Tom Hanks (eu, como boa cinéfila "formada" nos anos 80, só imaginava Harrison Ford como Robert Langdon, mas o ator americano já está com idade demais para o papel...); Audrey Tautou está fisicamente distante da Sophie Neveu do livro, mas é tão linda que esquecemos isso; Ian McKellen  sempre enriquece qualquer filme em que apareça, assim como Alfred Molina e Jean Reno ( ao ler o livro, já se imagina mesmo ele como o inspetor Faché). E há Paul Bettany, caracterizado para se "transformar" no fanático albino e "fantasma" Silas, mas belo demais para assustar! Como disseram duas adolescentes que estavam perto de mim: "tão lindo, coitado..."



Escrito por Lana às 08h46
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MAFALDA !



Escrito por Lana às 08h28
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RAYUELA  -  CAPÍTULO  7.

 

Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.

Tu me olhas, de perto tu me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, aproximam-se, sobrepõem-se e os cíclopes se olham, respirando indistintas, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E, se nos mordemos, a dor é doce; e, se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim, como uma lua na água.

 

- Julio Cortázar - O Jogo da Amarelinha, 1964.



Escrito por Lana às 18h54
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AMOR -  EFEITO  COLATERAL  DE  NÃO  TER  ASAS

 

ter 

  asas

  é não ter

  cérebro

 

  ter

  cérebro

  é não ter

  asas "

                          ( Orides Fontela )

 

 

* Asas do Desejo ( Les Ailles du Désir / Der Himmel Über Berlin, 1987), do alemão Wim Wenders

Um dos mais poéticos e melhores filmes dos anos 80, uma daquelas obras raras que podem ser sobre qualquer coisa da natureza humana: o amor, a cultura, a vida, a amizade...

" A câmera é uma arma contra a miséria das coisas, nomeadamente contra o seu desaparecimento. Por que filmar? Não saberá de outra pergunta menos idiota? " ( Wim Wenders )                                                              



Escrito por Lana às 08h41
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