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Mentiras Perfeitas
 

OS  INCRÍVEIS

                            

Caio Fernando Abreu  (1948 - 1996).

Há dez anos exatos - em 25/ fevereiro/ 1996 - morria em Porto Alegre o escritor gaúcho (nascido em Santiago do Boqueirão) Caio Fernando Abreu , ou Caio F. , como gostava de ser chamado, ironicamente se dizendo " primo de Cristiane F. ", vítima da AIDS.

Chamado " o escritor da paixão" , Caio F. deixou uma obra melancólica, angustiada, polêmica, intensa e extremamente interessante, em romances, contos, crônicas, peças de teatro e até mesmo em  cartas que escrevia, tudo agora relançado no mercado brasileiro, que andava meio "esquecido" deste escritor tão particular. Relançaram-se o seu maior sucesso, o livro de contos  Morangos Mofados , além das coletâneas  Caio 3D - O Essencial da Década...(70, 80, 90) . O autor que escreveu  " Continuo a pensar que, mesmo quando tudo parece sem saída, sempre se pode cantar. Por isso escrevo." ou  " A cada dia viver me esmaga com mais força. ",mal imaginava que , dez anos após sua morte, ainda seria lido com voracidade,  fomentaria auto-análises em seus leitores e seria companhia constante dos solitários.

 

ALENTO

 

Quando nada mais houver,

eu me erguerei cantando,

saudando a vida

com meu corpo de cavalo jovem.

 

E numa louca corrida

entregarei meu ser ao ser do Tempo

e a minha voz à doce voz do vento.

 

Despojado do que já não há

solto no vazio do que ainda não veio,

minha boca cantará

cantos de alívio pelo que se foi,

cantos de espera pelo que há de vir.

                                           (C. F. A.)

 



Escrito por Lana às 18h01
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I  KNOW, IT'S  ONLY  ROCK 'n' ROLL...

                         

 

                                                  

No show que o U2 fez em São Paulo, no último dia 20/ fevereiro, em determinado momento o front-man Bono empunhou sua guitarra e, sozinho, tocou um pequeno trecho de uma música antiga, numa homenagem singela e emocionante à banda mais importante da história do Rock'n'Roll... THE  BEATLES, sure!

A canção, chamada  Norwegian Wood, faz parte do LP  Rubber Soul,lançado  em dezembro de 1965, e conta com o primeiro registro da cítara em uma música ocidental, graças ao então recente interesse de George Harrison pela Índia, sua cultura e seu misticismo, e por Ravi Shankar - de quem se tornaria grande amigo por toda a vida.

 

NORWEGIAN  WOOD

 

I once had a girl,

or should I say

she once had me.

She showed me her room,

isn't it good?

Norwegian wood.

She asked me to stay and told me to sit anywhere,

so I looked around and I noticed there wasn't a chair.

I sat on a rug

biding my time,

drinking her wine.

We talked until two,

and then she said

" It's time for bed ".

She told me she worked in the morning and started to laugh,

I told her I didn't , and crawled off to sleep in the bath.

And when I awoke

I was alone,

this bird has flown,

so I lit a fire,

isn't it good?

Norwegian wood.

 

(A foto é de Linda McCartney.)

 

 

 

 



Escrito por Lana às 16h55
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OS  INCRÍVEIS

                                

John Cassavetes (1929-1989)

 

O cinema, Hollywood especialmente, não se cansa de desenvolver heróis -  de Rambos armados até os dentes até camundongos como Mickey Mouse... Mas, vez por outra, a arte cinematográfica, ansiosa para sair da caverna platônica em que costuma se esconder, vai buscar na realidade uma forma de respirar, de se ligar às coisas urgentes da vida que existe do lado de cá da tela. É nessa freqüência que vibram os filmes de John Cassavetes. Com as palavras do próprio ator/ diretor/ roteirista:

" Se eu puder, farei filmes com não-profissionais, com pessoas que se permitam sonhar com uma recompensa diferente de dinheiro, pessoas com um desejo frenético de participar de algo criativo, sem saberem exatamente o quê. Fazer filmes é prazer em estado puro. "

Seu cinema é feito de crônicas quase sempre amargas, mas sempre muito apaixonantes, adultas, sobre o amor e as suas dificuldades, o peso da convivência nas relações, a destruição lenta das coisas e o poder de superação, seja através da ironia, seja através do amor perfeito, aquele que resiste às mais severas tempestades.

" Ter uma filosofia é saber como amar e saber onde colocar o amor. Você não pode colocá-lo em toda parte. Teria que ser um sacerdote para dizer: ' Sim, meu filho, ou sim, minha filha, Deus te abençoe.' Mas as pessoas não vivem desse jeito. Elas vivem com raiva e hostilidade e problemas. E falta de dinheiro, sabe, e decepções tremendas na vida. Então o que elas precisam é de uma filosofia. O que eu acho que todo mundo precisa é de uma maneira de dizer: ' Onde e como eu posso amar e ser amado de modo a viver com algum grau de paz? ' Então é por isso que eu preciso que os personagens realmente analisem o amor, discutam o amor, matem-no, destruam-no, firam-se uns ao outros, façam tudo aquilo, naquela guerra, naquele discurso polêmico e naquele retrato polêmico do que é a vida. E o resto da coisa realmente não me interessa. Pode interessar a outras pessoas, mas eu tenho uma mente monotemática. Só tem uma coisa que me interessa. O amor. "



Escrito por Lana às 17h56
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