Escrito por Lana às 10h20
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DOIS ESTUDOS

Homesickness - René Magritte, 1940.
1.
Tu és a antecipação
do último filme que assistirei.
Fazes calar os astros,
os rádios em praça pública.
Eu te assisto imóvel e indiferente.
A cada momento tu te voltas
e lanças no meu encalço
máquinas monstruosas que envenenam reservatórios
sobre os quais ganhaste um domínio.
Trazes encerradas entre os dedos
reservas formidáveis de dinamite
e de fatos diversos.
2.
Tu não representas as 24 horas de um dia,
os fatos diversos,
o livro e o jornal
que leio neste momento.
Tu os completas e os transcendes.
Tu és absolutamente revolucionária e criminosa
porque sob teu manto
e sob os pássaros de teu chapéu
desconheço a minha rua,
o meu amigo e o meu cavalo de sela.
João Cabral de Melo Neto
Escrito por Lana às 09h54
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CINEMA EM DIA

O Segredo de Brokeback Mountain (Brokeback Mountain, 2005, EUA).
Ontem fui a João Pessoa apenas para assistir a O Segredo de Brokeback Mountain, antes da premiação dos Oscars, hoje à noite. Já imaginava que o filme do taiwanês Ang Lee seria no mínimo interessante, como os demais filmes do diretor, mas me surpreendi !
Baseado em um conto de Annie Proulx, publicado originalmente na revista americana New Yorker em 1997, o filme conta a história de Ennis Del Mar (o australiano Heath Ledger) e Jack Twist ( o belo e excelente americano Jake Gyllenhaal),dois vaqueiros que se conhecem no Wyoming em 1963, quando são "contratados" para trabalhar como pastores de ovelhas nas montanhas que dão nome ao filme e servem de belíssimo cenário para uma história de amor louco, radical, insensato, intenso e "escondido". Longe da cidade e do contato com qualquer outra pessoa, na maior parte do tempo, os dois vão lentamente se aproximando, até que se define um companheirismo que vira amizade, que vira atração física irresistível , que vira depois amor.
Amor que se mostrará forte o bastante para resistir a 20 anos de encontros fortuitos na Brokeback Mountain, de saudades mal disfarçadas, de crescente insatisfação com a vida que têm que levar frente à sociedade, mas não forte o suficiente para que os dois cowboys assumam sua relação diante da comunidade reacionária da época e do lugar (?). Cada um toma seu rumo, se casa, e as convenções sociais pesam cada vez mais em sua vida. Os personagens passam do espaço aberto da primeira parte do filme - o paraíso distante de qualquer censura moral - para lugares fechados - casas, escritórios, salas de jantar, trailers - que ficam claustrofóbicos com a impossibilidade do amor.
E mais uma vez o cinema prova que o amor mais sublime é sempre o impossível. Ao menos na arte.
Escrito por Lana às 08h38
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